Para uma visão mais geral de tudo que aconteceu, confira nosso artigo resumido do desafio.
Dia 0
Estamos dirigindo pela cidade à noite e os carros não param de buzinar para nós. As pessoas tiram fotos, acenam pelas janelas abertas. Parece estranho, afinal não estamos acelerando, nem quebrando nenhuma regra, apenas seguindo o fluxo do trânsito.
O conceito do Wialon Challenge já provou seu valor diversas vezes: condições extremas, parceiros experientes e o Wialon como base de tudo ajudando você a entender onde está e o que vem a seguir. Em desafios anteriores, escalamos um vulcão na Indonésia e subimos o Monte Kilimanjaro. Neste ano, subimos o nível mais uma vez.
No início de janeiro, o Dakar começa em Yanbu, uma cidade portuária no Mar Vermelho. Nós seguimos a rota do rally enquanto realizamos nossas próprias missões ao longo do caminho. São quatro equipes, cada uma formada por três parceiros e um membro da equipe da Gurtam, além de uma equipe separada de organizadores em um quinto veículo. Todos aqui são ousados o suficiente para se inscrever — e competitivos o bastante para querer vencer.
E não faltam missões — são 68 no total. Algumas se repetem todos os dias; outras aparecem em grupos de 10 a cada nova manhã. E as equipes não recebem a lista completa antecipadamente. Em um dia, você está perseguindo um piloto profissional de rally off-road a 180 km/h; no outro, está correndo pelas ruínas de uma cidade antiga sob um sol escaldante. O que o dia seguinte vai trazer muitas vezes é um mistério — até mesmo para os organizadores.
Mas, por enquanto, um dia antes da largada, tudo ainda parece surpreendentemente normal: voos longos (o recorde — uma jornada de 50 horas saindo da Ucrânia! Respeito, Overseer!), um encontro em um hotel em Jeddah e transformar carros comuns em veículos prontos para o rally com trabalho manual, aplicando as cores das equipes e adesivos vibrantes, semelhantes a chamas, que combinam com seus nomes: Azul, Vermelho, Verde e Amarelo. Como tudo isso vai sair depois é um problema no qual estamos deliberadamente evitando pensar por enquanto.
E assim, o conforto termina aqui. O Wialon Challenge dura 5 dias — e é exatamente esse o tempo que passaremos sem ele.
Dia 1
De Jeddah a Yanbu — e as primeiras complicações
O Dia 1 começa com o básico: instalar rastreadores nos veículos e conectá-los ao Wialon. Você deve achar que um grupo de CEOs e diretores teria dificuldades com o hardware, mas, surpreendentemente, todos dão conta do trabalho sem nenhum problema.
__SLIDER_DKRR001__
O drama começa um pouco depois: descobrimos que os rastreadores que as equipes acabaram de instalar já têm números de ID em uso no Wialon (propositalmente, cortesia dos organizadores). Ou seja, eles não vão funcionar. De jeito nenhum.
Então imagine a situação: o desafio extremo está prestes a começar, o tempo é curto, e tudo já parece uma emergência. O que você faz na vida real? Entra em contato com o alarm@wialon.com — o contato reservado para situações que precisam de uma solução imediata.
O time Amarelo segue por outro caminho e manda mensagem no grupo de parceiros no WhatsApp. Não é uma má ideia e rapidamente alguém indica o endereço correto, o problema é resolvido e logo todos os veículos finalmente aparecem no Wialon. Isso é contar com o apoio da comunidade em todos os momentos.
Só então podemos partir. A missão é chegar ao prólogo do Rally Dakar a tempo da largada da equipe Gurtam Toyota Gazoo Racing Team, com Benediktas Vanagas ao volante. As equipes têm cerca de 3 horas e a distância a percorrer é de 350 quilômetros.
Tudo parece perfeitamente viável, se não fosse pelas missões extras que os organizadores continuam distribuindo com um entusiasmo generoso. Uma delas é uma espécie de caça ao tesouro no estilo Wialon: as equipes precisam encontrar pontos específicos ao longo da estrada até Yanbu, ponto de partida do Dakar.
Um pequeno consolo: pontos extras pela maior distância percorrida naquele dia.
“Fim de todas as restrições”
O prólogo do Dakar é uma etapa curta de qualificação. Seus resultados definem a ordem de largada da corrida principal. O time Amarelo chega à linha de largada em primeiro lugar entre os participantes do desafio — apenas alguns minutos antes do início do prólogo.
A largada em si é puro caos: quilos de poeira e areia são lançados no ar enquanto cada carro dispara para frente. A areia rapidamente se torna nossa companheira constante. Você a sente nos dentes a cada minuto, sacode dos cabelos e, mais tarde, até dos teclados dos laptops enterrados nas mochilas no banco de trás dos carros. No primeiro dia, você ainda tenta lutar contra, mas depois, desiste e só aceita.
Existe algo de irônico no que acontece a seguir: logo após o arco de largada, de frente para o deserto, há uma placa de trânsito: “End of all restrictions” — fim de todas as restrições. Para nós, ela acaba sendo estranhamente profética, já que, ao longo da semana, vários limites dentro das nossas próprias cabeças também vão desaparecer.
Burning Man para fãs de automobilismo
A próxima parada do desafio é o bivouac. Não é fácil descrevê-lo em uma única frase. Tecnicamente, é onde pilotos e mecânicos dormem, consertam os veículos e se preparam para as próximas etapas. Na prática, é algo entre uma enorme oficina a céu aberto, um festival estilo Burning Man para fãs de corridas off-road e um acampamento nômade de alta intensidade que logo será desmontado para seguir junto com a corrida.
Ao mesmo tempo, o bivouac parece uma pequena cidade com suas próprias ruas, trânsito constante — você aprende rapidamente a ficar atento a bicicletas e scooters — e uma praça central. Há uma fogueira à noite, um campo de futebol e uma loja de souvenirs.
__SLIDER_DKRR002__
E patos. Patos de borracha do Wialon, escondidos pelos organizadores em todo lugar. Cada pato encontrado rende pontos para a equipe.
Os times Verde e Amarelo começam a procurar os patinhos imediatamente. Alguns são fáceis de encontrar, outros exigem um pouco mais de esforço (incluindo subir no teto do caminhão de Benediktas Vanagas). O time Verde rapidamente prova ser especialmente bom nisso, conseguindo encontrar patos em lugares que ninguém mais está procurando.
__SLIDER_DKRR003__
Também é possível ganhar pontos ajudando as equipes do rally, seja varrendo a área, lavando um carro, levando café ou conseguindo a rara chance de sentar dentro do cockpit de um carro de rally.
O time Azul chega ao bivouac depois que todos os outros. Eles perderam mais de uma hora ajudando fãs aleatórios do Dakar a trocar um pneu no meio do deserto. Por aqui, esse tipo de ajuda mútua faz diferença, especialmente quando as regras do desafio recompensam isso com pontos extras.
O time Vermelho finalmente consegue sair do congestionamento perto do aeroporto e chega ao bivouac mais perto do fim da tarde.
Jantar com lendas, chuveiros frios e barracas na areia
À noite, todos nos reunimos para um jantar coletivo no refeitório do bivouac. Frangos inteiros assados em fogo aberto, pão local, arroz. Dividimos as mesas com verdadeiras lendas do automobilismo. Carlos Sainz está sentado ali perto, e um pouco mais adiante Stéphane Peterhansel passa carregando uma bandeja. Há rumores de que Mark Mateschitz, dono da Red Bull, está correndo por uma das equipes usando um pseudônimo. Vez ou outra nos pegamos examinando a multidão.
Parece um bom momento para encerrar o dia. Mas não é.
Mesmo depois do jantar, ainda há pontos extras a conquistar. Por exemplo, por tomar um banho no bivouac — com água fria, mas perfeitamente aceitável. Ou por passar a noite em uma barraca, ali mesmo, na areia. Trouxemos oito barracas para 16 participantes, meio esperando que ninguém se voluntariasse, mas fomos surpreendidos: tivemos mais voluntários do que barracas. Depois de alguma discussão, a escala final ficou assim: três membros do time Verde, dois do time Vermelho, dois do time Azul e um do time Amarelo passaram a noite no deserto.
Enquanto o restante dos participantes do desafio segue para um hotel confortável, nossos oito moradores do bivouac começam a trabalhar montando suas barracas contra o relógio. Sim, conseguimos transformar até isso em uma competição, com pontos extras em jogo.
__SLIDER_DKRR004__
Uma noite barulhenta nos espera. Por aqui dizem que o bivouac nunca dorme, mas ainda estamos no primeiro dia do Dakar, então não há tantos carros quebrados. Já mais pro meio da corrida, consertos, soldas e o barulho constante de ferramentas continuam pela noite inteira, transformando o sono em algo mais parecido com ficar dentro de uma máquina de ressonância magnética do que em descanso de verdade.
Mas isso é mais para frente. Por enquanto, há o céu noturno do deserto, uma queda repentina de 10 graus na temperatura e areia. Muita areia.
Dia 2
“Você sempre pode seguir as nuvens de poeira dos carros de corrida”
Benediktas Vanagas, piloto da Gurtam Toyota Gazoo Racing Team, conquista um ótimo resultado no prólogo, o que significa uma largada antecipada no primeiro dia da corrida principal — às 9h em ponto. Todos nós queremos mostrar nossa torcida e ver a largada com os próprios olhos, e isso significa sair cedo, seja do hotel ou diretamente do bivouac.
Alguns participantes que dormiram nas barracas conseguem dormir apenas 2 ou 3 horas, mas ninguém reclama. Todos se alongam, se recompõem e correm para desmontar suas barracas o mais rápido possível, já que ainda há pontos extras em jogo. O recorde: 5 minutos.
No deserto, não existem endereços e as estradas são mais uma sugestão do que uma regra. Todos os locais importantes estão marcados como cercas eletrônicas no Wialon e isso inclui a largada da primeira etapa do Rally Dakar. Não há internet ali no meio das dunas, então as equipes mais rápidas são aquelas que baixaram os mapas com antecedência.
Qualquer coisa que ajude na navegação vale: Google Maps, OpenStreetMap, Maps.me — o que funcionar. O Wialon continua enviando alertas de forma consistente por todos os canais disponíveis — via Telegram quando há internet, via Garmin por satélite e até pelo bom e velho SMS direto no telefone.
Não há dúvida sobre o destino. E, se todas as opções falharem, é sempre possível seguir as enormes nuvens de poeira levantadas pelos carros de corrida — visíveis a quilômetros de distância.
Entrevistas, autógrafos e troca de pneus
A quantidade de equipamentos de proteção que um piloto veste antes de uma etapa é impressionante. “É como arrear um cavalo”, brincam os próprios pilotos. Mas isso faz sentido: o deserto não perdoa, o esforço físico é intenso e carros leves, parcialmente construídos em carbono, voam sobre a areia a velocidades próximas de 180 km/h.
Durante todo o dia, os participantes do desafio conversam com os pilotos sobre isso e muito mais. A lista de missões inclui entrevistar competidores, coletar autógrafos e até encontrar pilotos do seu próprio país. Nossas equipes acabam sendo surpreendentemente internacionais: 14 países representados por 16 participantes.
__SLIDER_DKRR005__
Algumas equipes dão sorte. Edgar e Nicolas, do time Amarelo, representando México e Chile, encontram pilotos que falam espanhol quando param para ajudar a trocar o pneu de um carro de corrida. Resultado: pontos por ajudar e pontos por encontrar pilotos da própria região — duas missões concluídas de uma só vez.
Outras equipes precisam trabalhar mais para criar esses momentos. Isso acaba virando uma missão paralela por si só. Usando um mapa bastante aproximado fornecido pelos organizadores do Dakar, as equipes tentam prever por onde os pilotos vão passar, traçam uma rota (de preferência por estradas públicas, para chegar mais rápido) e tentam chegar a tempo. Tudo isso tomando cuidado para não se aventurar demais no deserto, onde encontrar o caminho de volta pode custar horas preciosas.
Pen drives perdidos e para-choques desaparecidos
Todos os dias trazem um novo conjunto de missões secundárias. Uma delas envolve encontrar pen drives “deixados para trás” nos veículos das equipes pelos motoristas anteriores. No calor da busca, algumas equipes praticamente desmontam seus Prados parafuso por parafuso — apenas para descobrir o pen drive escondido no fundo de um assento. O passo final é decifrar um código secreto.
À noite, depois de todas as aventuras do Dia 2, as equipes e os organizadores do desafio se reúnem novamente para um jantar coletivo no hotel. Na pauta: apresentar todos os patos de borracha do Wialon encontrados durante o dia — e descobertas maiores, agrupadas sob o nome coletivo de “relíquias do Dakar”: peças de carros perdidas pelas equipes do rally ao longo do percurso.
No início, os achados são mais modestos — pequenas porcas e parafusos. Depois de alguns dias, as descobertas ficam mais impressionantes. As equipes chegam orgulhosas com pedaços de sistemas de freio manchados de óleo, partes da proteção do compartimento do motor e outros artefatos bem robustos.
Os debriefings diários se estendem até tarde da noite, sempre acompanhados de explosões de risadas. A expressão dos garçons é impagável. Eles não costumam ver um grupo tão internacional comparando, com tanto entusiasmo, autógrafos em bandeiras (pontos), produtos oficiais de equipes de fãs (mais pontos) e para-choques arrancados (sim, mais pontos!).
Dia 3
“Todo mundo experimentando a comida típica enquanto caminhões passam voando ao fundo”
Hoje é a última chance de concluir as missões diretamente ligadas ao Rally Dakar. Depois disso, a corrida segue mais fundo no deserto, enquanto nós permanecemos na região de Yanbu. Corremos para a área de serviço — uma espécie de pit stop técnico no meio do nada — onde peças quebradas podem ser consertadas rapidamente e as rodas trocadas com a mesma rapidez.
Estamos ocupados observando as equipes de serviço trabalhando em velocidade impressionante quando quase perdemos a principal surpresa do dia. Uma nova cerca eletrônica aparece no Wialon perto da área de serviço: área de picnic. No papel, a missão é simples: entrar na cerca eletrônica o mais próximo possível das 13h.
O time Vermelho é o primeiro a chegar à área, às 12h14. Mas hesita, sem ter certeza se deve sair da estrada. A cerca eletrônica fica bem no meio do deserto — afinal de contas, não planejaríamos fazer um piquenique na beira da rodovia. O time Verde chega cinco minutos depois, faz uma curva decisiva para fora da estrada e acaba entrando na cerca eletrônica apenas 10 segundos antes do time Vermelho.
Uma diferença mínima, considerando que a jornada leva mais de três horas e que ambas as equipes tiveram que lidar com pneus furados e trocas de pneus ao longo do caminho.
Ninguém chega ao piquenique de mãos vazias. A missão é montar a mesa usando produtos do seu país de origem, com um orçamento rígido de no máximo 20 euros. Quase como mágica, o deserto se enche de comida: ajvar da Sérvia, doces caseiros do Marrocos, laranjas com Tajín do México, marshmallows bielorrussos, carne seca da Austrália, sprats sobre pão preto da Lituânia. Internacional da melhor forma possível, muito no espírito da comunidade Wialon.
Edgar, do time Amarelo, arrasta quatro enormes pedras, cada uma com cerca de 100 quilos, para improvisar assentos. As pessoas circulam de grupo em grupo experimentando as comidas uns dos outros, enquanto caminhões passam voando ao fundo (eles têm sua própria categoria no rally).
O time Azul vai um passo além e acende uma grande fogueira. No cardápio: milho cozido, no estilo de praia da Geórgia (né, Giorgi), e café local da Re’Alla.
Opa, tem fogo?
O tema do fogo continua no próximo conjunto de missões. Os times são desafiados a despertar seu lado de sobrevivência e fazer fogo por conta própria — usando uma lupa (o sol do deserto se põe cedo, então essas tentativas parecem quase condenadas desde o início), um pederneira ou simplesmente fricção com gravetos secos.
Por incrível que pareça, essa acaba sendo uma das missões mais fisicamente exigentes do dia e com isso, todos ficam muito aliviados quando o time Vermelho finalmente consegue produzir uma chama. Eles compartilham com os outros o conhecimento conquistado com tanto esforço e logo pequenas fogueiras começam a aparecer pelo deserto.
Outro desafio físico vem em seguida: alcançar o ponto mais alto acessível. O time Verde escolhe uma abordagem pragmática e dirige até as montanhas, alcançando 827 metros acima do nível do mar. O time Vermelho vai pelo caminho oposto, a pé, escalando até 388 metros.
O dia termina com um jantar no hotel. Pontos são concedidos aos times que, de acordo com os dados do Wialon, percorrem as maiores e as menores distâncias, além daquelas com o menor consumo de combustível por 100 quilômetros. Hábitos sustentáveis ainda importam — mesmo no deserto.
Uma coisa fica clara: dentro da mesma equipe, o consumo de combustível pode variar bastante dependendo de quem está atrás do volante no dia — algo entre 9,8 e 17,6 litros por 100 quilômetros.
Dia 4
Tesouros entre as ruínas da cidade
Ruínas de uma cidade antiga. Ruas estreitas e abandonadas. Casas desmoronadas. Silêncio. Imobilidade total. E então os carros do Wialon Challenge Dakar chegam quase ao mesmo tempo, rasgando a calmaria com o som dos motores.
Nas próximas duas horas, os times enfrentam a missão fisicamente mais exigente de todo o desafio. A tarefa: esconder grandes e pesadas sandboards em algum lugar entre as ruínas — contra o relógio — e depois encontrá-las novamente, também contra o relógio. Sol escaldante, areia por toda parte, escaladas constantes sobre muros quebrados e escombros. Um dia típico para parceiros do Wialon — versão challenge.
A missão seguinte é troca de pneus. Como sempre, valendo tempo.
Os times Vermelho e Verde já têm experiência nisso. Furar pneu no deserto não é nada raro — pneus são o item de consumo mais comum e, durante o Rally Dakar, oficinas improvisadas à beira da rota funcionam 24 horas por dia. Ainda assim, temos nossos próprios especialistas. Em um duelo tenso, o time Verde supera o time Vermelho por pouco e leva a vitória.
O time Amarelo não vence em velocidade, mas conquista o prêmio do júri. A troca de pneu deles acontece em grande estilo — confortavelmente deitados sobre um tapete tradicional que sobrou do piquenique do dia anterior.
Como no Dakar: navegação desligada, roadbook na mão
Tudo é feito no estilo Dakar. Os carros partem com pneus novos e navegação desligada. No banco do passageiro dianteiro, os participantes do desafio assumem um novo papel — navegadores de rally, com roadbooks impressos nas mãos.
Pela frente, pelo menos 20 quilômetros sem orientação digital. E “pelo menos” é a palavra-chave aqui: perder um checkpoint significa dar meia-volta e repetir o trecho.
Os roadbooks usados no desafio seguem a mesma lógica dos utilizados no Dakar. Os mesmos símbolos, a mesma necessidade de ler o terreno em tempo real e pensar vários passos à frente. Os pontos-chave estão marcados com cercas eletrônicas no Wialon, e os pontos são concedidos pelo menor tempo entre checkpoints. Todos têm chances iguais de vencer segmentos individuais — mesmo que o time precise de um momento para se adaptar à navegação analógica.
Os pilotos também têm seu próprio desafio: avançar pelas dunas de areia tentando percorrer cerca de 150 metros entre checkpoints mais rápido que os demais. Enquanto isso, os navegadores não só leem o mapa, mas também negociam dentro do time, já que todo mundo quer sua vez no banco da frente.
A missão se mostra de fato difícil. Não é incomum passar batido por algum ponto, basta perder uma pedra importante ou uma árvore solitária indicada no roadbook. E quando isso acontece, não tem jeito: é preciso voltar e tentar de novo.
Coordenadas para patos amarelos
Depois do bivouac, os times treinaram bem o olhar e identificar patos amarelos do Wialon no deserto agora acontece quase de forma natural. Essa habilidade se torna útil na próxima missão. Primeiro, porém, é preciso descobrir onde procurar.
A missão começa com a decodificação das localizações dos patos: quebrar um código HEX e depois entender o que fazer com o resultado. Para quem está acostumado com coordenadas tradicionais, combinações como perfume.angel.assessed ou inundated.crafts.alerts parecem puro nonsense. A menos, claro, que você se lembre do what3words — o serviço que descreve qualquer ponto do planeta usando apenas três palavras.
É nesse momento que o time Vermelho, chegando em primeiro lugar, conquista uma vantagem estratégica — e acesso aos patos. Alguns deles precisam ser resgatados diretamente de árvores.
__SLIDER_DKRR006__
O dia termina com um concurso de fotos ao pôr do sol — uma breve pausa no meio da corrida para parar, olhar ao redor e absorver a escala e a força silenciosa do deserto.
Dia 5
A grande perseguição em Yanbu
Antes de voltar para Jeddah, os times ainda têm assuntos pendentes em Yanbu. Dizem que o lugar é perfeito para perseguições de carro, então essa se torna a principal missão do dia.
A dinâmica é simples: um carro larga na frente e dispara. E o outro vai atrás. O objetivo do time perseguidor é ler um código secreto escrito no vidro traseiro do primeiro veículo. Localizar o carro usando um marcador no Wialon, alcançar e recuperar o veículo “roubado” — um caso clássico de uso do Wialon, especialmente comum em mercados em desenvolvimento. Hoje, os times vivenciam isso na prática.
Uma perseguição em alta velocidade já seria emocionante o suficiente, mas o time Verde decide apostar em uma tática mais criativa: eles seguem para um terreno aberto de areia e derrapam de propósito, levantando uma enorme nuvem de poeira para bloquear a visão dos perseguidores ao seu vidro traseiro.
A perseguição continua dentro dessa tempestade de areia artificial por 10 minutos inteiros. E, em algum momento no meio do caminho, finalmente fica claro de onde vêm aqueles círculos estranhos nos campos.
Fora da zona de conforto
O Wialon Challenge foi criado para tirar as pessoas da zona de conforto. A missão seguinte faz exatamente isso: conseguir um convite para tomar chá na casa de moradores locais. Mesmo que a maioria não fale árabe, a tarefa se mostra surpreendentemente fácil. As pessoas em Yanbu são acolhedoras e ficam felizes em receber visitantes em suas casas. Chá e café com cardamomo são servidos com generosidade.
Outra missão social é reunir o maior número possível de pessoas em uma foto ao lado do carro do time. A criatividade entra em cena e um dos times vai direto ao maior canteiro de obras da cidade — bem na hora do almoço.
Depois de tudo isso, é hora de seguir de volta para Jeddah. Nem todos escolhem o caminho mais direto. Pontos extras estão em jogo para quem demonstrar amor pelo Wialon — “desenhando” a letra W de diferentes formas: com o maior trajeto possível do veículo no mapa, com um trajeto do WiaTag (o que significa correr sob o sol com um smartphone na mão). Ou, simplesmente, formando a letra com os próprios corpos.
De alguma forma, ainda sobra energia para tudo isso.
Três horas depois, os times exaustos estão de volta a Jeddah. Os carros seguem direto para a lavagem e com isso vem uma boa notícia: não será preciso remover os adesivos manualmente. Em seguida, um jantar merecido, spa e massagens.
Dia 6
“Eu nunca…”
Finalmente podemos dormir até mais tarde. Sem pressa, sem despertador tocando cedo. Só nos resta uma coisa (a mais agradável de todas): a cerimônia de premiação.
__SLIDER_DKRPT005__
Como lembrança, cada participante recebe um relógio personalizado pelo Wialon que é resistente a impactos, criado especialmente para o desafio — com dunas e camelos no mostrador. Além disso, alguns gigabytes de vídeos, dezenas de histórias que ainda serão contadas muitas vezes e muitos agradecimentos sinceros.
A frase do dia, repetida várias vezes por quase todos, é simples:
“Eu nunca…”
Eu nunca conversei com pilotos profissionais de corrida.
Eu nunca dormi em uma tenda no deserto.
Eu nunca entrei na casa de um desconhecido em outro país.
Eu nunca atravessei dunas guiado apenas por um roadbook de papel.
Eu nunca corri por um bivouac do Rally Dakar procurando patos amarelos.
E a lista continua.
Tudo isso — e muito mais — se tornou possível graças ao Wialon Challenge Dakar: um projeto com um grande coração e um desafio ousado, que não tivemos receio de apresentar à nossa comunidade.
E nossos parceiros corresponderam.
Mais uma vez, eles mostraram exatamente porque valorizamos a comunidade Wialon: dedicação ao que fazem, espírito de equipe e a capacidade de encontrar um caminho, independentemente das condições.
Alguns desses momentos ficaram na rota. Outros, em fotos e pequenas atualizações que compartilhamos ao longo do caminho no LinkedIn, no Facebook e no Instagram.
E a página do Wialon Challenge no Instagram guarda o restante da história.